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📅 contratos em dia não é tarefa de janeiro

o risco mora no esquecimento do combinado

25/01/2026

domingo - edição mega especial

o contrato não termina na assinatura… ele começa ali

Bom domingo. Hoje a gente vai falar de uma parte do trabalho jurídico que quase nunca vira “orgulho de portfólio”… mas que decide o resultado do contrato na vida real: o pós-assinatura.

🎙️ EPISÓDIO NOVO NO AR! 

Antes de começarmos: três acordos de leitura

📱 Contratos não “vencem”. Eles escapam.
Normalmente em silêncio, por prazo, reajuste, SLA, obrigação pequena e repetida.

📞 O risco de 2026 não é a cláusula que você não viu.
É a rotina que ninguém está sustentando para ver o que o contrato prometeu entregar.

💸 Previsibilidade virou produto.
O cliente quer menos surpresa; o jurídico quer entregar; mas, sem estrutura, vira só mais uma cobrança em cima de uma equipe exausta.

O “checklist de janeiro” é um bom começo e um péssimo plano anual

Quase todo mundo tem um ritual de início de ano: organizar pastas, cobrar áreas, pedir a planilha, revisar modelos. Isso dá uma sensação imediata de controle.

O problema é que gestão contratual não é fotografia; é filme. Prazos correm, renovações disparam, índices mudam, obrigações vencem em datas que ninguém lembra, aditivos surgem “só para formalizar”, multas aparecem quando já ficou tarde.

A WorldCC descreve a incerteza como “novo normal” para a maioria das organizações e, nesse cenário, contrato parado é luxo. O contrato que não é acompanhado vira um repositório de promessas que ninguém governa.

O checklist certo, então, não é “lista de revisão”. É lista de frentes recorrentes e cada frente pede dono, cadência e evidência.

Onde o dinheiro some: não é no capricho da redação, é no esquecimento do combinado

Existe uma crença bem jurídica (e bem humana): se o texto está bom, o risco está contido. Só que o vazamento mais caro não acontece na linha 12 da cláusula, acontece no e-mail que não foi enviado a tempo.

A WorldCC aponta perdas relevantes de valor associadas à má gestão contratual (o famoso value leakage) e o que dói aqui é a natureza desse prejuízo: ele não “explode”; ele escorre.

Pense no trio clássico:

  • renovação automática que passa porque ninguém mapeou a janela de notificação;

  • reajuste que não é aplicado (ou é aplicado errado) porque o índice ficou num PDF e a área esqueceu;

  • SLA e obrigações que viram discussão de performance porque não existia rotina de checagem (e não porque o contrato era ruim).

E aí acontece o que a advocacia conhece bem: o cliente não diz “falhamos no acompanhamento”. Ele diz “o contrato não me protegeu”.

A pergunta prática para 2026 é desconfortável e libertadora: quem, no seu cliente, está realmente olhando para o contrato depois que ele foi assinado?

A crise de “dono do contrato”: quando todo mundo é responsável, ninguém é

O Benchmark 2025 da WorldCC insiste num ponto que aparece em todo diagnóstico sério de maturidade: falta de clareza sobre accountability na gestão contratual.

Em recortes divulgados do estudo, aparece a estimativa de que 70–80% das organizações não têm clareza sobre quem “é dono” da performance/qualidade dos contratos e isso não é um detalhe organizacional; é um convite ao retrabalho e à perda.

No cotidiano, essa confusão tem um cheiro específico:

  • contrato assinado “some” porque está com compras, com financeiro, com jurídico e com a área técnica ao mesmo tempo;

  • ninguém sabe qual é a versão “final-final”;

  • aditivo vira remendo apressado (“só para ajustar”), sem trilha clara;

  • auditoria chega, e a organização vira arqueologia.

Repare: isso não é falta de conhecimento jurídico. É falta de operação contratual. E operação, quando não existe, cai no colo do advogado — que vira o “dono” informal de tudo. Até quebrar.

Quando o escritório para de “apagar incêndio” e começa a vender previsibilidade

Aqui entra o ponto mais delicado (e mais promissor) desta edição em parceria com a Contraktor: muita empresa está disposta a pagar por acompanhamento contínuo porque o custo da improvisação está ficando alto demais.

A Contraktor descreve CLM como serviço como um modelo que combina método, governança e operação especializada ao longo do ciclo contratual, não como “comprar uma ferramenta e torcer”. E aponta como isso se conecta, na prática, à estruturação de serviços recorrentes por escritórios (inclusive no formato BPO).

O que muda, na vida real do advogado?

  • Você deixa de vender contrato bem redigido como entrega isolada e passa a vender gestão de risco e performance contratual como rotina.

  • Você ganha espaço para um modelo mais contínuo (contrato de partido / assessoria recorrente), em que o jurídico mantém a estratégia e a relação e a operação não precisa consumir a sua equipe até o osso.

  • Você transforma a conversa com o cliente: menos “me ligue quando der problema” e mais “vamos montar um calendário de obrigações, prazos e pontos de atenção”.

E tem um detalhe humano aqui que não dá para ignorar: a Juro registrou burnout relevante no jurídico interno nos últimos anos e, mesmo quando a estatística não “encaixa” perfeitamente no seu mercado, a sensação é familiar: muito trabalho manual, pouca sensação de fechamento, muita urgência fabricada.

A pergunta madura não é “como produzir mais”.
É: o que precisa virar rotina para que o contrato pare de virar surpresa?

Gestão contratual como serviço: o que isso significa na prática?

Alguns escritórios já estão oferecendo a gestão de contratos como um serviço contínuo para seus próprios clientes, com apoio de tecnologia e operação jurídica especializada (modelo de BPO jurídico).

Na prática, isso transforma um trabalho que antes era pontual em uma linha de receita recorrente. Em alguns casos, escritórios que adotaram esse modelo conseguiram aumentar seus lucros em até 75%, ao estruturar a gestão contratual como serviço.

É exatamente isso que a Contraktor viabiliza: o escritório segue como dono da relação e da estratégia, enquanto a gestão contratual roda com método, tecnologia e apoio operacional.

👉 Veja como funciona o modelo de BPO jurídico da Contraktor

Seu checklist 2026 (para usar o ano inteiro, não só em janeiro)

Se você quiser transformar isso em serviço (ou pelo menos em método interno), comece assim:

  1. Mapa de prazos (vigência, janela de notificação, vencimentos críticos).

  2. Renovações automáticas (onde existem e como controlar).

  3. Reajustes (índice, data-base, gatilhos, evidência de aplicação).

  4. Obrigações contratuais (quem faz o quê, quando, e como comprova).

  5. SLA e performance (métrica, tolerância, penalidade, rotina de medição).

  6. Aditivos (governança: quando pode, quem aprova, como versiona).

  7. Multas (previsão, limites, eventos de descumprimento, cobrança).

  8. Rescisões (ritual: prazos, multas, obrigações pendentes).

  9. Revisão e auditoria periódica (não para “caçar erro”, mas para reduzir exposição).

  10. Confidencialidade e dados (o básico bem governado evita tragédia boba).

Checklist não se executa sozinho.

Todos esses pontos só funcionam se alguém acompanhar prazos, renovações, obrigações e SLAs ao longo do ano.

É por isso que muitos escritórios estão adotando o modelo de CLM como serviço, usando BPO jurídico para rodar a operação contratual com método, tecnologia e previsibilidade.

Quando essa operação passa a ser oferecida como serviço contínuo aos clientes, ela deixa de ser custo e vira produto.

👉 Conheça o BPO jurídico da Contraktor e veja como estruturar isso na prática

Hoje, no seu trabalho, o maior risco contratual está em:

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📩 A gente se encontra em breve!

Obrigado por me acompanhar neste domingo.

Eu sei que “gestão de contratos” não tem o glamour de uma tese bem escrita — mas ela tem uma virtude rara: ela protege o advogado do desgaste invisível de ser chamado sempre quando já está tarde.

Quando a gente trata o pós-assinatura como “atividade menor”, o contrato vira um documento bonito que não cumpre o papel que prometeu. Quando a gente trata como rotina (com dono, cadência e trilha) o contrato vira o que ele deveria ter sido desde o começo: um instrumento de previsibilidade.

Que 2026 seja menos sobre “controlar tudo” e mais sobre não ser surpreendido pelo que já estava escrito.

Até lá! 👊