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🌷o direito é uma mãe
e a história jurídica de quem te gerou
10/05/2026
edição especial - domingo
O direito pode socorrer e acolher. Dá a cada um as razões para pedir, para resistir, para construir. É, em sua essência, transformação. Mas, antes de qualquer norma, alguém já fez tudo isso por você. Por isso ter uma mãe é o maior privilégio que existe.

Sobre esta edição
Hoje saímos do ritmo das notícias para olhar o lugar que as mães ocupam no direito brasileiro: as conquistas que vieram tarde e as mudanças que ainda estão por vir. E, por falar em mudanças, no direito a gente costuma dizer que o Código Civil é a mãe. É de onde tudo nasce. E ele está prestes a passar pela maior reforma desde 2002. Por isso, nesta edição, você vai encontrar um convite especial para um evento que estamos preparando com os juristas que estão construindo essa reforma agora.
Boa leitura. E feliz dia das mães. 💐

DIREITO E MATERNIDADE
Direitos que as mães conquistaram
Quatro marcos que reconheceram a maternidade no direito brasileiro
1943, CLT (Decreto-Lei 5.452). A consolidação trouxe a primeira proteção formal à maternidade no trabalho: licença remunerada de 84 dias, vedação à dispensa da gestante e direito a intervalos para amamentação. Foi o ponto de partida da maternidade como categoria jurídica protegida. | 1988, Constituição Federal. Ampliou a licença-maternidade para 120 dias (art. 7º, XVIII) e fixou a estabilidade da gestante, da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto (ADCT, art. 10, II, b). Pela primeira vez, em texto constitucional, a maternidade ganhou proteção contra dispensa arbitrária |
2002, Novo Código Civil. Acabou com o "pátrio poder" e criou o "poder familiar", compartilhado entre pai e mãe. Pode parecer detalhe terminológico. Não é. Pátrio poder pressupunha hierarquia. Poder familiar pressupõe paridade. | 2014, Lei da Guarda Compartilhada (Lei 13.058). Tornou regra a guarda compartilhada após separação ou divórcio, mesmo sem acordo entre os pais. Mudou a lógica de que a mãe assumiria automaticamente a guarda unilateral, redistribuindo deveres e responsabilidades. |

APRESENTADO POR LAWLETTER
Cuidado para não ficar atrasado…
Esperar o livro sair é entrar no jogo quando ele já acabou.
Antes do texto virar lei, alguém precisa ler os bastidores. E a próxima década do Direito Civil brasileiro está sendo escrita agora. 20, 21 e 22 de maio, das 9h às 11h, três manhãs ao vivo com os juristas que estão dentro do debate, lendo o que está sendo decidido antes que tudo mude.

20/05 — Quarta-feira | Contratos e Direito Digital
Carlos Elias: Consultor Legislativo do Senado Federal na área de Direito Civil. Atuação direta na produção técnica que alimenta a reforma.
Laura Porto: Especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, com presença ativa no eixo digital da reforma.
21/05 — Quinta-feira | Parte Geral, Direitos Reais, Família e Sucessões
Rosa Nery: Referência do Direito Civil brasileiro, com produção acadêmica e atuação prática no centro do debate.
Mário Delgado: Trajetória consolidada em Família e Sucessões, com longa atuação institucional e participação direta em discussões legislativas.
22/05 — Sexta-feira | Obrigações, Responsabilidade Civil e Empresarial
Nélson Rosenvald: Atuação consolidada em Responsabilidade Civil, Direitos Reais e Contratos, com presença firme no debate da reforma.
Paula Forgioni: Nome central do Direito Comercial e dos Contratos Empresariais no país.
Daniel Carnio: Autoridade em insolvência, recuperação de empresas e Direito Empresarial.
Quem chega depois, chega tarde. Aqui, você acompanha a direção das mudanças junto de quem está nesse circuito agora.

DIREITO CIVIL
A mãe do Código Civil está mudando
A reforma do Código Civil que está sendo discutida no Senado
mexe diretamente com vários dos pilares que estruturam direitos das mães.

Crédito de Imagem: Magnific
👶 Filiação: ampliação das hipóteses de reconhecimento de filiação socioafetiva e regulamentação mais clara da multiparentalidade.
💍 União estável e casamento: equiparação total de efeitos patrimoniais e revisão dos regimes de bens.
⚖️ Guarda e poder familiar: critérios mais objetivos para definição da guarda compartilhada, com impactos diretos sobre rotina de mães separadas.
📜 Sucessão: revisão da posição do cônjuge como herdeiro necessário, tema que afeta diretamente mães viúvas e filhos de relações anteriores.
Boa parte do que sua mãe conhece como "regra estável" está sendo redesenhada. E quando a mãe do direito civil muda, quase todo o resto muda junto.

💌 Sua mãe se orgulharia de te ver escrevendo na Lawletter
Se você analisa, escreve ou reflete sobre o Direito, esse espaço editorial é seu. O LL Insights publica, todas as semanas, colunas de advogados e advogadas que querem dividir com a comunidade jurídica brasileira aquilo que pensam, defendem e constroem na prática.
Não importa se é o seu primeiro texto ou se você já publica há anos. Importa o que você tem a dizer.

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DIREITO E LEGISLAÇÃO EM CURSO
Mudanças legislativas em andamento
Em paralelo às discussões do Código Civil, o Congresso analisa propostas que devem redesenhar os direitos da gestante e da mãe brasileira nos próximos meses.
PL 1599/2026, salário-maternidade. Elimina a exigência de carência para concessão do benefício a contribuintes individuais e facultativas. Para mães autônomas, MEI e seguradas facultativas, é a possibilidade de proteção financeira imediata à maternidade. Autoria: Dep. Laura Carneiro | Área: Previdenciário | PL 5416/2025, licença para casais de mulheres. Regulamenta o direito à licença-maternidade para ambas as mães em uniões homoafetivas femininas. Alinha a legislação trabalhista ao entendimento do STF sobre proteção a famílias homoafetivas. Autoria: Dep. Erika Hilton | Área: Trabalhista |
PL 4/2025, reforma do Código Civil. Reconhece expressamente a maternidade socioafetiva e a multiparentalidade. Padrastos, madrastas, avós, tias ou qualquer pessoa que exerceu o papel de mãe poderá ser reconhecida legalmente, com o mesmo peso jurídico da filiação biológica. Autoria: Sen. Rodrigo Pacheco | Área: Civil | PL 1763/2025, violência obstétrica. Cria tipo penal específico, com penas de 1 a 15 anos conforme a gravidade da conduta durante gestação, parto e puerpério. Recebeu apoio da Bancada Feminina, mas enfrenta resistência do CFM, AMB e Febrasgo, que alegam risco de criminalização da prática médica. Autoria: Dep. José Guimarães | Área: Penal |

CURIOSIDADES JURÍDICAS
O que o direito já decidiu sobre
a maternidade
E que talvez você ainda não saiba

Crédito de imagem: Magnific
🧬 A presunção de maternidade não existe em texto legal. O direito brasileiro presume a paternidade (art. 1.597 do CC), mas a maternidade é considerada um fato natural decorrente do parto. Por isso, "mater semper certa est" (a mãe é sempre certa) é princípio antigo, não regra escrita. Até a barriga de aluguel mudar isso.
⚖️ DNA virou prova legal só em 1992. Antes, paternidade era presumida pelo casamento ou negada por exames de sangue indiretos (que só excluíam, nunca confirmavam). O caso Pedro Aleixo, em 1992, abriu o caminho para que o DNA passasse a ser admitido como prova plena. Antes disso, mães precisavam provar o impossível.
👨👩👧 Filiação socioafetiva foi reconhecida pelo STF em 2016. No Tema 622, fixou-se que a paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro, não impede o reconhecimento concomitante da paternidade biológica. Mães que criaram filhos sozinhas ganharam o direito de ver formalizado, com efeitos jurídicos completos, o vínculo que sempre construíram.
🤱 Licença-maternidade brasileira é uma das maiores da América Latina. São 120 dias garantidos pela Constituição, prorrogáveis para 180 dias pelo Programa Empresa Cidadã. A licença-paternidade, por outro lado, ainda é de 5 dias, com extensão para 20 dias nas empresas aderentes. A diferença, embora sob revisão, ainda é gritante.

DIREITO DO TRABALHO
A escala 6x1 também é pauta da maternidade
Em paralelo às discussões do Código Civil, o Congresso debate o fim da escala 6x1, que obriga seis dias de trabalho para um único dia de descanso. A discussão tem origem trabalhista, mas é familiar por consequência.

Créditos da imagem: Reprodução/Canva
Os números mostram por quê. Segundo dados de 2022 da PNAD Contínua do IBGE, mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Estudos da Rede Brasileira de Economia Feminista e da Unicamp mostram que mulheres submetidas à escala 6×1 podem ultrapassar 67 horas semanais de trabalho quando se soma a jornada remunerada ao trabalho doméstico.
No comércio e nos serviços, 82% dos trabalhadores em jornada 6x1 recebem menos de dois salários mínimos. Entre mulheres pretas e pardas, essa proporção sobe para 90%. É a configuração predominante na base da pirâmide do trabalho formal brasileiro, atingindo principalmente mães chefes de família, mulheres negras e trabalhadoras de baixa renda, justamente o grupo com menor capacidade de negociar individualmente melhores condições.
A discussão envolve também o art. 226 da Constituição, que define a família como base da sociedade. E, no Brasil, o tempo destinado a essa proteção recai majoritariamente sobre as mães.

💐 Dicas do que fazer hoje
☕ Para o café da manhã — leve ela para um lugar tranquilo, sem fila e sem pressa. Se não der, prepare você mesmo um café da manhã em casa. Pão quentinho, café fresco e atenção valem mais do que qualquer reserva chique.
🍽️ Para a hora do almoço — leve ela ao restaurante favorito dela, mesmo que não seja o seu. Se não puder, cozinhe você mesmo. O prato preferido dela, feito por você, vale mais do que qualquer rodízio. Hoje a escolha é dela.
🎬 Para passar a tarde — Red: Crescer é uma Fera (Disney+). Mãe e filha, conflitos de geração, afeto verdadeiro e muita risada pelo caminho. Animação leve da Pixar que fala de maternidade sem cair em clichê de Dia das Mães forçado.
🌷 Bônus: por hoje, não dê trabalho. Lave a louça que você sujou. Tire o lixo sem ela mandar. Mãe trabalha o ano inteiro. O mínimo é não aumentar o turno dela.

Giphy

🌙 a gente se vê amanhã, no horário de sempre, às 6h
Descanse e aproveite o Dia das Mães! ☕